Ela tinha os olhos azul-oceano.
—Não mergulhe em mim, disse, me alertando.
Já era tarde demais.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Miniconto
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Miniconto
Pedro trancou sua porta e viu o tempo passar. Envelheceu em sua mente, só.
Reabriu a porta, olhou para fora, fechou-a. A solidão era um bem maior do que a convivência humana.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
A segunda maior nação comunista do mundo
->Assistencialismo do Estado: o Brasil se caracteriza, cada vez mais, como um país assistencialista, no qual trabalho não é a razão da renda, ao contrário, o simples fato de estar abaixo da linha da pobreza já garante um benefício. Distribuição de renda, diriam alguns, porém uma distribuição de renda sem contrapartida (crianças na escola é obrigação de qualquer país, capitalista ou comunista) nada mais é do que ajuda da máquina governamental.
->Monopólio de mercado: As quatro maiores montadoras de automóveis no Brasil dominam cerca de 65% do mercado; o número de instituições bancárias diminui de tempos em tempos, criando grandes conglomerados financeiros; até um canal de televisão detém um monopólio da audiência, de certa forma. Embora na URSS o monopólio ficasse a cargo do governo totalmente, fica claro que, no Brasil, a situação está apenas em outras mãos.
->Monopólio governamental em determinadas áreas: apesar das privatizações feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governo brasileiro ainda possui monopólio em pontos considerados estratégicos: organização da malha ferroviária (algo que a presidente tenta mudar), combustíveis, correspondências, infraestrutura portuária... E se tudo fosse vendido? Talvez tivéssemos magnatas como na Rússia, mas o Estado deixaria de agir como empresário.
->Intromissão do Estado: subida do dólar, aumento do preço da soja, criação de uma agência governamental de seguros para agir no mercado, criação de uma agência nacional de banda larga para fomentar a melhora e distribuição do serviço, uso dos bancos públicos para baixa de juros... A tão decantada autorregulação do mercado não existe no Brasil.
->Freio na concorrência externa: mesmo sendo estrangeiras, as montadoras de carros gozam de um protecionismo nacional ferrenho; nossos empresários recebem proteção do governo para uma indústria incapaz de concorrer de igual para igual com as estrangeiras; os agricultores têm sua produção comprada e estocada em caso de queda de preços no exterior.
Podemos ser o segundo maior país HOJE, mas todas essas ideias já vêm de longa data em nossa terra tupiniquim: Dom Pedro II já tomava atitudes protecionistas (como aumentar a emissão de papel-moeda para não quebrar bancos públicos mal gerenciados, fechar a concorrência pública a alguns, transformar bens privados em públicos).
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Um Sonho de Simplicidade, de Rubem Braga (do livro A Traição das Elegantes)
Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo do Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca — foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e votes distantes de animais noturnos.
Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse oficio absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo: tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo. mas deixasse a alma sossegada e limpa.
Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. E apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número... Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver — sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Fragmento 2
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Fragmento 1
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
Humanidade
O primeiro registro de que se tem notícia foi numa noite nublada no Cairo: o choro e gritos que se ouviam eram da mãe e não do bebê. Após quase nove meses de espera, o que saía de seu ventre era nada. As ultrassonografias, exames, análises mostravam um feto perfeito, saudável, menino, como era a esperança dos pais. Mas, naquele momento de nascimento e luz, o que se via era a ausência de qualquer coisa. A mãe gritava no desespero de quem perde uma vida que não a sua, e os médicos, alterados e nervosos, fizeram um corte na altura do ventre da mulher para encontrarem seu útero vazio. Viam, à sua frente, a barriga de grávida murchar. O pai gritava palavras de ordem e a mãe já tinha desmaiado. Foi assim que tudo começou.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
velhos clichês
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
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