quinta-feira, 15 de maio de 2008

Você tem sede de quê?



A foto aí de cima foi tirada hoje (15/05). Infelizmente, não posso dizer onde. Tirei essa foto porque fiquei intrigado com o momento e com os dizeres. Vou descrever o momento e, quem sabe, você vai entender o porquê:

Uma sala de 1 metro por 1 metro, um computador tocando vento no litoral do legião urbana e três pessoas (uma delas eu) em silêncio. Aquele silêncio que causa desconforto total. Silêncio de elevador. Silêncio de quem não quer falar nem um pouco. Fiquei meio desconcertado e tive que forçar o centro gravitacional da minha mente a voltar para o lugar. Ainda bem que voltou. E quando olho para o lado, vejo a inscrição aí de cima. É neste momento que pulo para o terceiro parágrafo para explicar a relação com os dizeres.

Água contaminada. Achei engraçado e irritante, ao mesmo tempo. Parece contraditório? Mas é. Aliás, o local onde eu estava era contraditório. Vamos ao que interessa: engraçado porque tudo ao meu redor parecia estar contaminado por várias doenças: lerdeza, letargia, estagnação, falta de vontade, descomposição social e destruição. E, dentro de um galão d’água, estava a contaminação. A irritação veio com o estar ali. O sentimento de querer sair, querer fugir era flagrante. Mas algumas coisas me amarravam ali... então não tive opção e fiquei.

Fiquei com a seguinte pergunta que queria dividir com você: até onde eu (você) irei (irá) sem contaminação? Sim, porque cada vez mais parece que há buracos em certos locais e momentos que sugam, tragam e nunca mais largam. Eu disse nunca. E vou indo e tentando não me contaminar com tanta coisa que parece inevitável fugir. Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho contamina. E assim a contaminação sai da água e vai para o sangue, músculos, mente...

Espero que não vire um zumbi. Ou um escravo das horas pronto pra bater o ponto e seguir a cartilha. Mas com tanta contaminação e cerco, acho que é inevitável, um dia, eu estar ali, dentro daquele galão, sem ar e afogado pela contaminação e rotina, também me silenciando e ouvindo vento no litoral. Esperando, quem sabe, que o vento leve tudo embora...

8 comentários:

Lesliê disse...

Dear Joao,

A agua, mineral por essencia, foge de sua rotina e se contamina e se confunde com a rotina humana. Pureza versus macula, com qual rotina vc mais se identifica? Com o VENTO FORTE ou com os CAVALOS MARINHOS?
Desejo muito sucesso no seu novo blog.
ABS,
Leslie

Giselle disse...

Às vezes eu acho que vc pensa demais. E nesse pensar demais, critica demais, observa demais, entende demais. Se vc fizesse de tudo um pouco menos, talvez sofresse menos, pensaria menos... e, obviamente, não seria vc. Ser crítico e inquieto faz parte de vc tanto quanto a realidade que vc descreve à sua volta. E eu só posso dizer que vc TEM que fazer uso disso pro teu bem. Acho que esse blog tá servindo para isso.

Mais uma vez, ficou excelente!

Anônimo disse...

JP,

Gostei muito do seu comentário acerca do assunto "contaminação". Eu também pude me ver um pouquinho nas suas palavras... ainda mais em se tratando do provável lugar onde tal foto foi tirada... ;-)

Bjo,
Luciana.

Emily disse...

Ate o leslie aqui XD

gostei muito do blog, principalemten dessa contaminação, eu quero saber o lugar XD
godd luck pro seu blog \o/
fui \o)

Rodrigo disse...

eu quero comentar D=

Deco disse...

beba!
Se contamine!
Saia da rotina, ligue 23!!!

Junior Torres disse...

Resistência é um esforço diário. Não há testemunhas, apoio, ovação: apenas espelho. Mas atenção redobrada: carregamos todos a insígnia de Narciso, e Eco já não pode ajudar.

Um abraço,
Junior

Marcos AM Ramos disse...

Ainda bem que já estamos providenciando a descontaminação: com o avanço do efeito estufa, a água dos oceanos ferverá e toda a raça humana desaparecerá da face da terra em uma linda nuvem de vapor. Só não sei se vai ser ao som de Vento No Litoral.