segunda-feira, 26 de maio de 2008

tijolos d'água


O clima andou meio pesado então decidi escrever umas pequenas fatias de informações acumuladas durante esse tempo. Chamei carinhosamente de tijolos d'água, já que constroem a parede (boa, hein?). Vamos lá.


  • Semana passada, numa fila de espera, ouvi uma conversa entre um homem e uma senhora: ele queixava-se de como o tráfico tinha acabado com sua vida - não tinha paz em casa pois era violento demais onde morava; falou também do desemprego que já o perseguia há dez anos. E, para meu espanto, começou a contar para a senhora um conto de Machado de Assis que falava sobre o que ele tinha passado: o seu emprego tornara-se extinto, como animais e plantas. Contou o conto direitinho e disse que havia aprendido com a filha. O conto se chama Pai contra Mãe (clique aqui para lê-lo) e aborda outros temas ainda recorrentes. O fato é que fiquei surpreso e, ao memso tempo, feliz por ouvir, numa fila, alguém recontar Machado de Assis. Cá entre nós, não é algo que se vê todo o dia... Vale a pergunta, pra você e pra mim: será que isso mostra que ainda tem jeito?


  • Ainda sobre ouvir e reouvir: um comentarista esportivo quase centenário da rádio globo (alguém adivinha??) teceu, domingo: o mal do Brasil é não falar espanhol; li, num conto, a seguinte frase: "coitado, tem o triste destino de ter que falar português" e, ainda, numa crônica lia-se: "Ah se a Holanda tivesse ganhado a guerra no Nordeste e falássemos holandês...". Deixei uma pergunta dessas para meus alunos e ainda vou descobrir a resposta, mas a faço aqui também: se falássemos outra língua (espanhol, inglês, francês), estaríamos melhor? Assunto muito controverso. Pelo menos não passaríamos pela reforma ortográfica... :)


A foto de hoje é uma homenagem ao artista holandês (já que falei da Holanda...) M. C. Escher. A figura lá de cima se chama relativity e inspirou vários artistas e até pensamentos matemáticos e físicos. Como se pode percerber, a gravura mostra como tudo depende do olhar e da perspectiva... tudo é relativo... Se quiser ver mais fotos, só clicar aqui.

2 comentários:

Giselle disse...

Dois comentários: ter jeito, tem, mas ele está no comentário do Marquinhos no post anterior :-)

Outro: se a língua fosse o problema, talvez nossos patrícios não estariam tão melhores. Seríamos nós hj o Portugal de ontem? Pq se sim, talvez amanhã estaremos melhores. Teu irmão que o diga!

Bela foto vc escolheu. Adoro. Adoro a idéia da perspectiva. Adoro saber que tudo tem seu ponto de vista. Pena ser tão difícil ver da perspectiva alheia... Escolhe-se um ângulo e fixa-se nele. Eu, ao menos, acho que sou assim... bjos!

Marcos AM Ramos disse...

Quero acreditar que a resposta da primeira pergunta é "sim", mas não sei. Talvez o que vai haver, sempre, são indivíduos capazes de tais proezas ainda que em meio a uma multidão conturbada e deturpada.

Creio que a resposta da segunda pergunta é "não", o problema não está no idioma. Acho que o problema é cultural, é da educação básica do nosso povo, o qual é muito misturado, não dá pra focar numa origem só.

Por fim, belíssima imagem mesmo, adoro esse conceito de perspectivas. Quantas obras já não foram inspiradas nessa. Concordo com a Gi, precisamos nos flexibilizar mais, e apesar de termos nossa própria perspectiva original, devemos parar um pouquinho e ao menos dar a chance de enxergar pelas perspectivas de outros. Isso já ajudaria muito a evitar preconceitos, prepotências e outros "PRE"s da vida.