terça-feira, 30 de setembro de 2008

errado lugar seu no coisa Cada

Às vezes vejo umas coisas que não entendo. Mas depois passo a entender e elas ficam martelando na cabeça pra sair ou pra serem engolidas como goma de mascar barata que vai se agarrando pela garganta sem querer descer...


Esta é uma daquelas que parecem goma.


Estava eu no ponto de ônibus esperando com várias outras pessoas, entre elas duas mulheres com bolsas de mercado. O maldito coletivo demorava uma vida quando apontou na esquina da rua e todos se agitaram. A boa educação manda que as mulheres devem subir primeiro, ainda mais quando estão com peso. Pois bem. Foi o que fiz. E qual não foi minha surpresa em ter tal ato de educação negado pelas mulheres? Elas diziam: "não, sobe primeiro". De tanto eu insistir, elas subiram. Como a entrada é pela frente, ficaram antes da roleta atravancando o caminho. Pouco depois, fizeram sinal para o motorista e desceram pela mesma porta, sem pagar passagem. Depois eu descobri: quem morava naquela área não paga passagem como espécie de pedágio para a empresa de ônibus.


Esse lance só mostra uma das várias facetas que acontecem todos os dias na região metropolitana do Rio. Devido a um gigantesco (mesmo) efeito cascata que vem desde a década de 70, é quase impossível se passar um dia inteiro nessa região sem ver, pelo menos, alguma coisa erradamente bizarra acontecendo. É claro, óbvio que coisas erradas acontecem em qualquer lugar. Mas estou falando de coisas realmente absurdas. De quem é a culpa? De todos. Como reverter isso? Com todos e muito (mesmo) trabalho e, principalmente, educação. E não é só educação de ABC ou 2 + 2. É a educação de cortesia, de honestidade, de respeito, de gratidão... Talvez depois disso tudo venha a educação formal e aí, e aqui vai uma pitada de esperança na goma, tudo comece a melhorar.


Mas... honestamente? Cada dia que passa fico mais cansado de temperar a goma com esperança e o saquinho de goma vai se esvaziando assim mesmo...


A foto aí abaixo é de uma comunidade que tirei nessas andanças... espero que a faixa esteja certa pra eles e pra gente.




3 comentários:

palavrasdesever disse...

Olá!

Sou a professora do blogue português omnde deixaste joje um comentário. Obrigada, foi um comentário muito simpático.

Este ano vamos estudar nas aulas uma pecinha brasileira, mas só lá para Abril: "Como um raio de sol", de Érico Veríssimo. Entretanto, os vão conhecendo poesia de Cecília Meireles e de manuel bandeira. Na narrativa, sugerimos que leiam POR PRAZER "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá", do Jorge Amado. Pessoalmente, já tive um caso sério de leitura com o Jorge Amado, mas o meu amor brasileiro de leitura mais definitivo é sem dúvida o Machado de Assis. Do melhor que a literatura em Português possui. Uma delícia!

De qualquer modo, o que eu quero é que os "catraios" gostem de ler, queiram ler, fiquem viciados em ler, seja o que for e de qualidade for. Com o tempo e a experiência os milagres da apreciação da grande literatura, seja de que país e em que língua for, hão-de dar-se. Tenho a certeza!

Obrigada, mais uma vez, pela tua visita!

palavrasdesever disse...

Esqueci-me de dizer que gostei muto do teu blogue. Vê-se que, para além dos livros, também lês o mundo. E os livros não servirão para nada se não conseguirmos depois fazer essas muitas outras leituras do que nos rodeia, não é?

Até sempre.

Marcos AM Ramos disse...

Por causa de um grupo e bandidos, uma comunidade inteira se sente na liberdade de explorar o medo gerado por aqueles. Aqueles que se aproveitam dessa situação são menos maus do que os que ameaçam? É por isso que tiro em favela é sempre de policial e só mata trabalhador, entendeu agora?
Tomara, JP... Tomara que sua esperança gere frutos... Eu às vezes sinto que já perdi a minha, e que estamos mesmo a caminho do fim. Já não sei o que pensar, só sei que isso tudo tá muito errado e muito generalizado.