sexta-feira, 24 de outubro de 2008


Mulheres sem rosto... Mas com bela arte... Nas ruas do Rio de Janeiro, uma ótima amostra de arte mais que atual.

sábado, 18 de outubro de 2008

made in...

O povo do Brasil sempre gostou de coisas que vêm de fora: desde de música até filmes, sempre importa as coisas que vêm de algum lugar que fique além de nossas fronteiras geográficas, políticas, sociais e culturais. Isso vem do passado, com os índios tupis ficando na costa, ficou mais fácil para qualquer estrangeiro entrar no que nem era Brasil ainda. Fato explicável: enquanto os índios mais agressivos foram empurrados para dentro do território pelas guerras entre as tribos, os mais pacatos e sociáveis ficaram na costa. O que aconteceria se fosse o contrário? Também me pergunto. Mas a questão é que os tupis moravam na costa e eram mais "gentis" com quem chegava por ali. Talvez venha daí nossa queda por tudo que é além-fronteira.

O pior é que estamos, hoje em dia, importando sem qualquer pudor. Antes eram trocas por espelhos e bugigangas; hoje são músicas horríveis, filmes que nos agridem de tão estúpidos, modas sem nexo, entre outras coisas. Uma dessas outras coisas é a mídia louca. Em alguns países lá fora, a mídia ataca buscando notícias a qualquer preço, furos incríveis, histórias que tragam atenção; pois aqui no Brasil isso também foi importado. Durante esta semana, houve o mais longo seqüestro televisionado do estado de São Paulo. Infelizmente o desfecho foi triste. Sem querer tocar na revolta dessa confusão toda, escolho tocar na mais recente importação.

A mídia, como sempre louca por uma notícia exclusiva, simplesmente se intromete no meio do ocorrido entrevistando o seqüestrador ao vivo. Um programa de tv entrevista um homem que mantinha como refém uma menina de quinze anos. Não sendo bastante esse absurdo, a apresentadora (Sônia Abrão) dava dicas para o rapaz sair de lá, dizendo que era um bom menino. E depois disso, vários outros programas criticaram a atitude bizarra dessa mulher; nada mais justo, se não tivesse todas suas câmeras focalizando o interior da âmbulancia com a menina baleada dentro. Afinal, é o sujo falando do mal-lavado.

Até onde pode ir a mídia buscando essa incessante notícia exclusiva? Até que ponto nós, pessoas que assistimos, ouvimos, lemos, temos culpa nisso? A abertura política ocorrida há quase duas décadas proporcionou um nó tão frouxo que está quase soltando. E enquanto nós estamos aqui, vendo, ouvindo, lendo, escutando todo esse sensacionalismo barato em busca de mais dinheiro em anúncios, mais câmeras focalizam o absurdo na busca de mais audiência. Depois do caso da menina Isabela, o horror só trocou de canal e de nome; toda a exploração barata continuou a mesma.

Acho que só temos uma opção: mandar essa importação chinfrim de volta, alegando defeito de fabricação. Isso pode dar errado porque podem mandar uns repórteres exclusivos com moto-link para cobrir a devolução...









Mais um assassinato na guerra pela terra. Já lá se vão 22 anos e, por incrível que pareça, os mandantes NUNCA foram presos. Conheça a história do padre Josimo, morto por ajudar um povo pobre a se organizar contra quem tem o poder. Artigo sobre 20 anos de sua morte aqui.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Rosa dos Ventos


O vício se alastra noite dentro
e a cidade se rende ao rumor de vozes
Todavia não era mais este o tempo sombrio
em que cada um se fecha dentro da sua dor
ou finge sorrir dentro da falsa alegria
Contornado o vazio da memória
apenas os pássaros enlouquecidos buscam agora
o rumo perdido da rosa dos ventos.



Li no blog do Noblat e achei muito bom. Texto de José Vicente Lopes, que nasceu na Cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, a 6 de outubro de 1959, com vivência em São Tomé e Príncipe, Angola, Portugal e Brasil. Reside atualmente na Cidade da Praia.