domingo, 4 de janeiro de 2009

O Brasil e os brasileiros


Sempre me pergunto por que as pessoas aqui neste país não estão nem aí para o que se chama de bem público. Neste caso, bem público é o que nos cerca e o que faz parte do nosso ambiente. Isso vai desde as ruas e calçadas até as florestas que estão dentro das nossas fronteiras. Pois bem, no caso do Brasil, isso tudo é complicado, ainda mais chamando de nosso. O que é nosso de verdade é um tema que merece ser abordado num post diferente, mas tomando por base o que eu disse até o momento, fica a pergunta: por que o brasileiro não respeita o Brasil?



O Brasil, como bem público, não é respeitado. Andei pensando sobre isso e me veio a idéia: não se respeita o Brasil porque não se gosta do Brasil. Pode parecer um pouco forte ou leviano, mas observe só: o que é de domínio público não é NUNCA respeitado por aqui. Desde a rua até seu direito mais básico (pra não falar de novo nas florestas), não se respeita ou se quer ter um mínimo de respeito, tudo isso porque as pessoas não gostam do Brasil. É claro que se pode dizer que o brasileiro ama o Brasil, não consegue ficar longe, não sabe viver bem se não for aqui... mas será que esse amar é positivo? Acho que isso veio com o tempo, com a colonização e com a idéia portuguesa de “esta não é minha terra, faz-se de qualquer jeito”. Num livro que li recentemente sobre a América Latina, o autor dizia que as cidades hispânicas aqui no Novo Mundo eram planejadas e bem organizadas enquanto as portuguesas eram sem planejamento ou cuidado organizacional. A Terra já era tratada com desrespeito há séculos. Será que vem daí esse sentimento de desprezo pelo Brasil?


Se cairmos na tentação de compararmos nossas atuações com outras sociedades talvez enxerguemos isso de uma maneira mais contundente. Desde a sociedade que nos colonizou até a francesa e a inglesa, pra não falar nas ainda mais avançadas, essa sensação de “desamor” é rara. Por aqui, fica aquela aparência de “não é meu, que se dane.” Mas na copa eu canto o hino, pinto a cara e toco corneta. Mesmo que depois disso eu suje a rua toda. Não é minha mesmo...


E para finalizar, vale falar da língua, tão na moda com essa reforma ortográfica. Alguns até dizem que é um elemento alienígena, já que as línguas dos índios são outras, mas o fato é que temos essa língua como elo com mais de 100 milhões de outros falantes e, mesmo assim, tratamos esse elo como outro “bem público”: é do colonizador, então deixa pra lá...


Esse desamor que vai em todas as camadas da sociedade se tornou tão forte que hoje em dia é complicado se querer respeitar o bem público. E assim a história vai seguindo, vamos ficando para trás e sempre olhando o que é nosso como se fosse de ninguém. O problema é que se ficarmos insistindo que é de ninguém, um dia alguém vem e pega. E não será fácil recuperar...