sábado, 5 de junho de 2010

Navalha na carne

Ser barbeiro era seu sonho: metal frio, brilhante, cortante. Conseguiu, aos dezessete anos.


Depois de quase trinta anos, tinha pela navalha seu apreço maior: era fria, afiada, certa e eficaz. Cortava até os sonhos. Como os dele.


Imaginava, já não tinha mais sonhos, em usá-la ao extremo, para ver a alegria de ambos (a dele e a dela). Quando descobriu o que ex-namorado fez com a filha de dezoito anos, ofereceu uma barba gratuita.


Usou-a ao extremo, alegre. Ela também, alegre. Brilhavam mais do que nunca, escarlates. A navalha e suas mãos.