quarta-feira, 21 de julho de 2010

Estrelas no céu

Mãe, aquela luz é um avião?


Não, filha, é uma estrela!


Que que é isso, estrela? Não sei o que é.


Ô, minha linda, estrela é o que gente se torna quando não mora mais aqui. Uma luz pra guiar que ficou, entendeu?


Então papai é uma estrela?


Sim, filha, disse a mãe já com lágrimas nos olhos, papai é uma estrela.



Dois anos depois, Renatinha viu mais uma estrela se acender no céu. Foi a única lembrança que lhe restou depois de ter toda a sua vida queimada enquanto brincava no parquinho com a amiga da escola.

domingo, 11 de julho de 2010

Gostava de ouvir os carros passando pela rua na madrugada. Fazia com que se sentisse viva. Àquela hora da madrugada, pessoas iam e vinham, de algum lugar pra algum lugar. A solidão não era para todos. Mas era para ela. O último copo de vinho tinto também era a senha. Não era hora de dormir, mas de tomar calmantes. Tomou seus quatro de costume. Deitou-se. Acordou às sete e quinze com o filho chamando, desesperado. Estavam atrasados. O marido nervoso sem café. Os filhos confusos e gritando. O cachorro latindo de fome. Os vizinhos fazendo vitamina. É. Estava mesmo viva. E não estava só.