segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A segunda maior nação comunista do mundo

Quando a Índia se tornou independente, em 1947, seu governo teve duas possibilidades de escolha: ou se alinhava ao bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, ou ficava ao lado da antiga União Soviética, tornando-se comunista. O partido vencedor das eleições, de cunho marxista, optou pela aproximação à URSS. Durante cerca de 40 anos, as políticas públicas indianas estiveram voltadas para o socialismo, o Estado interferindo ativamente na economia e na cadeia de produção, e os frutos que se colheram dessas décadas, segundo historiadores, foram, basicamente, a transformação da Índia em potência atômica e a construção dos Institutos de Tecnologia (baseados no MIT). Hoje, a Índia busca mudar sua estrutura social através do investimento em educação básica, pois os Institutos garantem a boa formação superior dos indianos, e o governo não regula a economia como antes.


Não é a Índia, porém, o tema deste texto. Já não tendo mais orientação socialista, o país asiático perdeu o posto de segundo maior país comunista do mundo para outra potência ascendente. E qual seria essa nação? O Brasil. Com a drástica guinada indiana, cabe a nós a medalha de prata nessa corrida sem disputa. Com a China em primeiro (comunista-capitalista), dificilmente chegaremos ao topo – o que, para os brasileiros, é uma vergonha, pois não apreciamos em nada o sabor do segundo degrau do pódio.


E como podemos dizer que não somos comunistas? As características fundamentais da nossa nação mostram um socialismo que daria inveja a Lênin: 

->Assistencialismo do Estado: o Brasil se caracteriza, cada vez mais, como um país assistencialista, no qual trabalho não é a razão da renda, ao contrário, o simples fato de estar abaixo da linha da pobreza já garante um benefício. Distribuição de renda, diriam alguns, porém uma distribuição de renda sem contrapartida (crianças na escola é obrigação de qualquer país, capitalista ou comunista) nada mais é do que ajuda da máquina governamental.

->Monopólio de mercado: As quatro maiores montadoras de automóveis no Brasil dominam cerca de 65% do mercado; o número de instituições bancárias diminui de tempos em tempos, criando grandes conglomerados financeiros; até um canal de televisão detém um monopólio da audiência, de certa forma. Embora na URSS o monopólio ficasse a cargo do governo totalmente, fica claro que, no Brasil, a situação está apenas em outras mãos.

->Monopólio governamental em determinadas áreas: apesar das privatizações feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governo brasileiro ainda possui monopólio em pontos considerados estratégicos: organização da malha ferroviária (algo que a presidente tenta mudar), combustíveis, correspondências, infraestrutura portuária... E se tudo fosse vendido? Talvez tivéssemos magnatas como na Rússia, mas o Estado deixaria de agir como empresário.

->Intromissão do Estado: subida do dólar, aumento do preço da soja, criação de uma agência governamental de seguros para agir no mercado, criação de uma agência nacional de banda larga para fomentar a melhora e distribuição do serviço, uso dos bancos públicos para baixa de juros... A tão decantada autorregulação do mercado não existe no Brasil.

->Freio na concorrência externa: mesmo sendo estrangeiras, as montadoras de carros gozam de um protecionismo nacional ferrenho; nossos empresários recebem proteção do governo para uma indústria incapaz de concorrer de igual para igual com as estrangeiras; os agricultores têm sua produção comprada e estocada em caso de queda de preços no exterior.

Podemos ser o segundo maior país HOJE, mas todas essas ideias já vêm de longa data em nossa terra tupiniquim: Dom Pedro II já tomava atitudes protecionistas (como aumentar a emissão de papel-moeda para não quebrar bancos públicos mal gerenciados, fechar a concorrência pública a alguns, transformar bens privados em públicos).


Quem diria que o Brasil é comunista há tanto tempo? Eis um título que podemos pleitear: a nação socialista mais antiga da América. Nada de segundo maior. Mas, pelo andar da carruagem, não demora muito para sermos os primeiros... Sem protecionismo dos outros, é claro.