segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Todos os dias, Lucinho  tirava da mochila seu livro já ensebado e começa a ler a mesma passagem que lia há três meses e dois dias. 

No ônibus,  todos dormindo, ninguém prestava atenção naquele jovem magrelo e branco,  que mais parecia saído de um mergulho num balde de tinta.

tres meses e dois dias lia a mesma passagem do mesmo livro,  quase sempre no mesmo lugar,  na mesma linha de ônibus.  Pela manhã,  era cheio,  mas conseguia ir sentado; na volta pra casa, vinha de pé,  segurando seu livro com uma mão e lendo as mesmas páginas.

No ir-e-vir, ninguém sequer se notava.  Lucinho estava lá,  lendo o mesmo trecho. Quando José sentou ao seu lado, pela manhã, depois de uns dias, percebeu que aquele jovem não ia muito adiante.  Aflito,  perguntou:

-Rapaz, você não lê além dessa parte?

-Não, senhor. Se eu passar dessa parte,  perco as figuras. Não sei ler...

José entendeu o porquê. Ficou mais tranquilo. O ônibus estava no horário e não ia se atrasar para o café da manhã na firma.

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